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Tommy (1969)
Crítica por José Humberto -
O ano de 1969 foi sem dúvida grandioso para a música e para o rock and roll em particular. Viu surgir "Let It Bleed" dos Stones, "Abbey Road" dos Beatles, os dois primeiros do Led Zeppelin, "In The Court of the Crimson King", Frank Zappa e seu "Hot Rats", Woodstock e todo o desbunde das bandas da época...
O ano de 1969 também viu surgir uma das mais impressionantes experiências de rock: o The Who, que fez grande sucesso entre os "mods" nos anos 60 com canções matadoras como "My Generation" e "I Can't Explain", lança um álbum que é uma ópera roqueira, contando uma história alucinante de um garoto cego, surdo e mudo que se torna campeão de fliperama e funda uma religião. Um álbum duplo, com as faixas emendadas entre si, algumas puramente instrumentais, com toda a trama sendo revelada gradativamente. Enfim, um álbum que tinha tudo para ser um fracasso... se não fosse em 1969!!
O The Who era uma banda medianamente sucedida até então, mas esse álbum chegou ao número 2 das paradas de sucesso e elevou a banda ao panteão dos grandes do rock. E merecidamente, devemos dizer. Pete Townshend, guitarrista e compositor, escreveu para essa disco canções brilhantes, de grande sensibilidade pop e com letras malucas, tendo achado riffs elétricos ou acústicos sensacionais, que se repetem como temas de uma ópera. O vocalista Roger Daltrey possuía então uma garganta de fazer inveja a Robert Plant ou Ian Gillan, personificando o jovem Tommy com emoção. O baterista Keith Moon foi o melhor de seu tempo, tocando o tempo todo como se estivesse solando (seja ao vivo ou no estúdio), e o baixista John Entwistle era a peça central de coesão do grupo, lançando linhas do seu baixo sem traste que pareciam quase sair de controle, correndo com precisão pelo braço do instrumento - muito provavelmente o melhor de todos os tempos.
E "Tommy" é antes de mais nada rock de primeira, com momentos impressionantes, como "Sparks", "Pinball Wizard" ou "We're not Gonna Take It (See Me Feel Me)", e sua turnê subsequente demonstrou também que eles eram a maior banda ao vivo da história do rock (conferir "Live at Leeds"). Virou filme e também musical da Broadway, mas nada supera a potência e o frescor da versão original. Pra quem gosta de bom rock, é obrigatório.
Quadrophenia (1973)
Crítica por Joe -
Quadrophenia, a segunda "rock opera" do The Who, é também sua melhor, elevando o The Who a níveis inimagináveis na época de Tommy, mas que já havia despontado com o disco anterior, Who's Next. Pete Towshend, autor de todas as músicas, conta a história de um garoto "mod" de 17 anos que possui 4 personalidades diferentes. O conceito fora trabalhado de tal forma em que cada membro do The Who correspondesse à uma das personalidades (retratado na bem bolada capa do disco), e, estas, por sua vez, a uma dos temas no disco, que são apresentados na primeira música, "I Am The Sea". "Helpless Dancer", o tema de Roger Daltrey, "Bell Boy", de Keith Moon, "Is It Me?", de John Entwistle, e "Love, Reign O'er Me", de Pete. O conceito não é perfeito pois não são realmente quatro personalidades, mas isso não tira nenhum dos méritos do espetacular Quadrophenia. Musicalmente a banda está excelente como sempre, dependendo mais dos sintetizadores (embora seu uso seja o mais inteligente por uma banda de rock, nunca chegando a soar ultrapassado ou "brega") com músicas bem diversas como o poderoso rocker de "The Punk and the Godfather" e "The Real Me", as excitantes "5:15" e "Bell Boy" e os incríveis instrumentais "Quadrophenia" e "The Rock" (este último no qual culminam os quatro temas de modo espetacular). Liricamente o disco possui o mesmo nível de qualidade. Em músicas como "Is It In My Head?", Townshend retrata em diversos níveis de interpretação as incertezas do protagonista. O disco termina perfeitamente com a emocionante "Love, Reign O'er Me". Roger Daltrey dá um show nos vocais e John Entwistle e Keith Moon nunca deixam de surpreender. Quadrophenia pode ser considerado o melhor disco do The Who, e certamente um dos clássicos do rock.
Crítica por Ruy Marques - 
Mais uma vez Pete Townshend resolve adotar o
conceito da ópera-rock num disco do Who, e mais uma vez ele acerta, até
mais do que em seu antecessor, Tommy. A história, como já dita em outra
resenha, conta a história de um jovem mod da década de 60 que sofre de
problemas semelhantes aos de um esquizofrênico, só que vezes dois. O tema
é meio confuso de ser analisado, pelo menos por mim, já que até hoje nao
cheguei a uma conclusão concreta sobre o fim e a moral da historinha toda
(ainda sim, algumas letras são totalmente diretas e emocionais, como a The
Punk And The Godfather e Dr. Jimmy). Apesar disso, posso considerar a
história mais simples ou no mínimo mais real do que a do Tommy, exatamente
por eles todos terem sidos garotos mod menos de 10 anos antes. E não tenho
muitas dúvidas de que as personalidades foram inspiradas (ainda que
tivessem terminado meio distantes, extremas, afinal) na adolescência dos 4
integrantes do grupo; tanto que existem temas para cada um dos músicos no
disco. No Quadrophenia são notadamente incorporados o uso de teclados, que
pessoalmente possuem um timbre muito estranho, em certos momentos soando
meio datados. O que não implica em perda alguma pois as melodias são em
sua maioria das mais belas já tocadas pelo tio Townshend. Musicalmente o
disco é o que há de mais perfeito em toda a obra já escutada por mim do
The Who. Músicas como The Real Me, Quadrophenia, Helpless Dancer, Bell Boy
e Love Reign O'er me (um dos melhores fins de disco EVER) não me deixam
mentir. Interações perfeitas entre TODOS os instrumentistas: Pete
Townshend em seus melhores trabalhos na guitarra, uma cozinha
impressionante, como sempre, de Keith Moon e John Entwistle e Roger
Daltrey nos emocionando com vozes mais fortes, agressivas e melancólicas
do que nunca. Um dos primeiros discos de verdade que eu ouvi, e recomendo
até hoje. |